Comportamentos ou necessidades?

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Hoje quero fazer-te a seguinte proposta: E se olhasses para o teu filho de uma perspetiva diferente?

Quando os nossos filhos são bebés não lhes dizemos que não têm razão para chorar, pois não?
Procuramos entender a causa do choro, pois percebemos que o choro de um bebé é a sua forma de comunicação.
Será fome, a fralda suja, frio, sono???
Somos umas verdadeiras mães detetives de forma a perceber pelas pistas que nos dão, qual será o problema e do que têm falta.

Mas depois isso muda… quando as crianças são mais velhas e começam a falar, deixamos de tentar perceber o que sentem e necessitam e focamo-nos na forma como se comportam.
Mas será que comportamento é o verdadeiro problema? Será que no fundo não é, sim, uma solução. É que todo o comportamento é uma forma de comunicação, é expressão de uma necessidade não atendida e existe então, para satisfazer alguma necessidade.

O que estamos mais habituados a fazer, o que tradicionalmente fazemos, é querer corrigir o comportamento da criança.
O que a Parentalidade Consciente nos diz é que o foco deve estar nas necessidades e não no comportamento. Mesmo que consigamos corrigir o comportamento no imediato, se não atendermos à necessidade que lhe deu origem, este normalmente volta a aparecer.
Por analogia com as doenças, podemos perceber que se tratarmos apenas os sintomas e não tratarmos a causa, o problema irá manter-se, e provavelmente, até piorar.
Através da forma como age, a criança dá-nos pistas (umas mais claras que outras) sobre o que sente, sobre o que está bem ou mal e sobre o que necessita, sendo o seu comportamento um reflexo dos seus estados internos.

⦁ O sentimento precede o comportamento
⦁ Numa determinada situação, dependendo de como se começa a sentir, assim será o seu comportamento
⦁ Se o sentimento se alterar, o comportamento também se altera

Ser um pai/mãe/educador consciente passa, por isso, por nos tornarmos verdadeiros detetives, atentos aos sinais que os nossos filhos nossdão, sempre curiosos e prontos a nos questionarmos e a tentar decifrar que necessidade não atendida está por detrás daquele comportamento indesejado e desafiante.

Quando conseguimos fazer uma leitura diferente das situações, mais facilmente conseguimos adequar a nossa resposta ao que a criança precisa e adequar, também a nossa comunicação para que a criança colabore connosco.

Proponho-te agora a seguinte reflexão:

*Quando o teu filho faz uma birra descomunal, será que em vez de te querer “chatear” o que ele sente é um avassalador turbilhão de sentimentos que não consegue compreender, e exterioriza da única forma que sabe?

*Quando o teu filho se “porta mal” será que ele não quer dizer que precisa da tua atenção, que tem necessidades que não estão a ser devidamente preenchidas?

E se uma criança desafiante for uma criança com desafios?
E se uma criança problemática for uma criança com problemas?
E se uma criança difícil for uma criança com dificuldades?
Se calhar a criança que evidencia um padrão de “mau comportamento” é aquela que, internamente, está a vivenciar um mau momento.
O motivo está lá, sempre. Quando queremos que as crianças se portem bem, antes de mais, temos de perceber que esse comportamento é um sintoma
A forma como descrevemos o que observamos faz toda a diferença quando procuramos as melhores soluções. Por isso, hoje quero fazer-te a seguinte proposta: E se olhasses para o comportamento do teu filho de uma perspetiva diferente?

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